Allan Kardec

Compreender Allan Kardec exige ir além da superfície do Codificador. É necessário enxergar o Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail, o pedagogo discípulo de Pestalozzi, cuja estrutura mental permitiu a organização da Doutrina Espírita. Através das lentes de pesquisadores fundamentais como Silvino Canuto Abreu e o testemunho de Geraldo Lemos Neto, Carlos Baccelli e a mediunidade de Chico Xavier, mergulhamos na missão que alterou o paradigma espiritual do Ocidente.

Allan Kardec Legenda: O Codificador.

A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) e o Método

Fundada em 1º de abril de 1858, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas não era apenas um centro de reuniões, mas um verdadeiro laboratório de pesquisa psíquica. Kardec aplicou ali o método experimental: a observação rigorosa, a comparação de comunicações e o Crivo da Razão.

SPEE Legenda: Passagem à Rua Saint’Anne, sede da SPEE.

Deste esforço nasceu o Pentateuco Kardequiano, o corpo de cinco obras fundamentais que sustentam o edifício doutrinário:

  1. O Livro dos Espíritos (1857)
  2. O Livro dos Médiuns (1861)
  3. O Evangelho segundo o Espiritismo (1864)
  4. O Céu e o Inferno (1865)
  5. A Gênese (1868)

A Contribuição de Silvino Canuto Abreu

Canuto Abreu foi talvez o pesquisador mais meticuloso da história do Espiritismo. Médico e jurista, ele dedicou décadas a resgatar os manuscritos originais de Kardec. Sua obra seminal, O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica, é indispensável para compreender como o pensamento de Kardec evoluiu e a fidelidade com que ele tratou a instrução dos Espíritos Superiores.

Chico Xavier, Baccelli e o Mandato de Continuidade

Enquanto Canuto Abreu iluminou o passado, Chico Xavier revelou a dimensão espiritual e futura da obra de Kardec. Chico, através de Emmanuel, sempre ressaltou que “Kardec não terminou a tarefa; ele a iniciou”.

  • Carlos Baccelli, em suas obras psicografadas em Uberaba, traz relatos de Espíritos que conviveram com o Codificador, humanizando a figura de Rivail.
  • Geraldo Lemos Neto tem sido o guardião contemporâneo dessa memória, especialmente através do acervo da Vinha de Luz e da divulgação dos manuscritos recentemente recuperados (Projeto Allan Kardec), que confirmam a autenticidade das edições originais das obras de Kardec.

O Retorno de Kardec: “Obras Póstumas”

Um dos temas mais fascinantes é a predição contida em Obras Póstumas (capítulo “Minha Volta”). Em comunicações datadas de 1860, o Espírito da Verdade informa a Kardec que sua missão não se encerraria com a desencarnação. Ele deveria retornar em uma nova roupagem física para completar o que a intolerância da época não permitiu concluir.

Essa dinâmica prova que o Espiritismo é uma Doutrina Progressiva. Como o próprio Kardec afirmou n’A Gênese: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas demonstrassem estar ele em erro sobre um ponto, ele se modificaria sobre esse ponto.”

O Vínculo com Jesus e o Espírito da Verdade

Acima de tudo, a missão kardequiana é um mandato cristocêntrico. Kardec foi o instrumento escolhido pelo Espírito da Verdade (coordenador da falange do Consolador) para restabelecer o Cristianismo em sua pureza original. Seu vínculo com Jesus não era de adoração estéril, mas de trabalho incessante para a transformação moral da humanidade.


Para aprofundar seu conhecimento com fontes seguras e históricas:


Este artigo é uma contribuição do Lar Espírita Cristão - Itatiba (LEC) para a divulgação doutrinária.